sacramento da Eucaristia
ASPECTOS TEOLÓGICOS
O sacramento da eucaristia faz parte da iniciação cristã. Pela comunhão
eucarística, aqueles que foram salvos em Cristo pelo batismo e a Ele mais
profundamente configurados pela confirmação participam com toda a comunidade
do sacrifício do Senhor (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1332; PO 5b).
104. Jesus cumpriu sua promessa de instituir a eucaristia (Jo 6,51.54- 56) na
última ceia que celebrou com seus discípulos, antes de se oferecer em
sacrifício ao Pai, em memória de sua morte e ressurreição, e ordenou aos seus
que a celebrassem até a sua volta (Mt 26,17-29; Mc 14, 12-25; Lc 22,7-20; 1
Cor 11,23-27), constituindo os sacerdotes do Novo Testamento (cf. Catecismo da
Igreja Católica, 1337).
De fato, “na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e,
depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é para vós;
fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o
cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança em meu sangue; todas as vezes
que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’. Todas as vezes, pois, que
comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor, até que
ele venha” (1Cor 11,23-26).
A eucaristia, ação de graças (Lc 22,19), é também conhecida como ceia do
Senhor (1Cor 11,20), fração do pão (At 2,42.46; 20,7.11), assembléia
eucarística (1Cor 11,17-34), memorial da paixão e da ressurreição do Senhor (Lc
22,19), santo sacrifício, sacrifício de louvor (Hb 13,15), sacrifício
espiritual (1Pd 2,5), sacrifício puro e santo (Ml 1,11), santo sacrifício da
missa, santíssimo sacramento, comunhão, santa missa (cf. Catecismo da Igreja
Católica, 1328-1330).
A Igreja denomina de transubstanciação a mudança de toda a substância do pão
na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho
na substância do seu Sangue (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1374-1376). O
santíssimo sacramento da eucaristia contém verdadeiramente, realmente e
substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a alma e a divindade de
Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, Cristo todo.
“A eucaristia é a presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu
alimento espiritual (...), é dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua
pessoa na humanidade sagrada, e também de sua obra de salvação” (EE 9.11).
Pelo sacrifício eucarístico de seu Corpo e Sangue, o Senhor “perpetua pelos
séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando assim à Igreja, sua
dileta Esposa, o memorial de sua morte e ressurreição: sacramento de piedade,
sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que o Cristo nos é
comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da
futura glória” (Sacrosanctum Concilium, 47).
“O sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que
se perpetua pelos séculos o sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o
culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade de todo o
povo de Deus, e se completa a construção do corpo de Cristo (cân. 897). “Os
demais sacramentos, como, aliás, todos os ministérios eclesiásticos e tarefas
apostólicas, se ligam à sagrada eucaristia e a ela se ordenam, pois a
santíssima eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o
próprio Cristo, nossa páscoa e pão vivo, dando vida aos homens, através de sua
carne vivificada e vivificante pelo Espírito Santo” (PO 5b; cân. 897).
Na eucaristia, Cristo une sua Igreja e todos os seus membros ao sacrifício de
louvor e de ação de graças que, de uma vez por todas, ofereceu na cruz ao Pai;
por este sacrifício, derrama sobre a Igreja as graças da salvação.
A eucaristia impele a participar na missão de Cristo: anunciar a boa nova
da salvação, denunciar o pecado, estar a serviço do reino.
ORIENTAÇÕES PASTORAIS
Quem pode receber a eucaristia
A Igreja, em obediência à ordem de Jesus, recomenda vivamente aos fiéis que
participem da Ceia do Senhor, memorial de sua morte e ressurreição. Devem os
fiéis ser orientados e preparados para receberem o pão eucarístico toda vez
que participam da celebração da eucaristia. Mas existe a obrigação de comungar
pelo menos uma vez por ano, no tempo pascal (cf. cân. 920, §§1e 2).
Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à Ceia
do Senhor e participar da mesa da sagrada comunhão (cf. cân. 912).
Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve comungar sem
antes receber a absolvição no sacramento da penitência (cf. Catecismo da
Igreja Católica, 1415; cf. cân. 916).
115. Não podem receber a eucaristia pessoas sob excomunhão, interdição e
persistência em pecado grave manifesto (cf. cân. 915).
Eucaristia
Amasiados e divorciados que contraíram nova união não podem ser absolvidos e
não podem receber a comunhão eucarística (Familiaris Consortio, 84;
Reconciliatio et Paenitentia, 34; Catecismo da Igreja Católica, 1650).
Quem vai receber a eucaristia deve abster-se de alimentos e bebidas, exceto
água e remédio, ao menos uma hora antes da comunhão (cf. cân. 919, §1).
I. Sacerdotes que celebram duas ou três missas no mesmo dia podem tomar alguma
coisa antes da segunda ou terceira celebração, mesmo que não haja espaço de
uma hora (cf. cân. 919, §2).
II. Pessoas idosas e enfermas e as que cuidam delas podem comungar, mesmo que
tenham tomado alguma coisa na hora que antecede (cf. cân. 919, §3).
Administração da santíssima eucaristia a crianças
Para que recebam a santíssima eucaristia, as crianças devem ter suficiente
conhecimento e cuidadosa preparação, de modo que possam compreender o mistério
de Cristo, de acordo com sua capacidade, e receber o Corpo do Senhor com fé e
devoção (cf. cân. 913, §1).
Contudo, em perigo de morte, pode-se dar a sagrada comunhão a crianças que
saibam discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e reverenciar a
santíssima eucaristia (cf. cân. 913, §2).
Como regra geral, a eucaristia deve ser ministrada a crianças em torno dos
nove anos de idade.
Antes de receberem a eucaristia, as crianças confessarão individualmente. Para
que o primeiro contato com o confessor seja realizado em clima de confiança, o
confessor deverá encontrar o tempo necessário para acolher e escutar cada
criança. É recomendável que se faça uma celebração para dar ênfase a este
momento de reconciliação, cujo sentido profundo se encontra na morte e
ressurreição do Senhor (cf. Ritual da Penitência).
Preparação das crianças para a eucaristia
É responsabilidade do pároco evitar que recebam a eucaristia crianças que não
estiverem devidamente preparadas e para isso dispostas (cf. cân. 914). Os
párocos, enquanto educadores da fé (PO, 6), não descuidarão de uma atividade
catequética bem estruturada e bem orientada (CT, 65). Cuidarão da escolha de
catequistas preparados e de sua formação permanente.
Preparar as crianças para a vida eucarística é dever, também, dos pais ou
responsáveis e da comunidade.
As crianças que se preparam para a eucaristia deverão receber também uma
sólida formação para o sacramento da reconciliação.
Objetivos e metodologia
A catequese da eucaristia não tem finalidade apenas sacramental, mas visa a um
processo contínuo na vida cristã. Por isso, ela deve focalizar a atenção das
comunidades no processo catequético, e não só na recepção do sacramento, ou na
“primeira eucaristia”. Mais do que preparar para a “primeira” eucaristia, esta
catequese prepara para a vida eucarística, a fim de que, “reunidos pelo
Espírito num só corpo, nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo”, para o
louvor da glória de Deus (Oração Eucarística IV).
A catequese da eucaristia destina-se a introduzir as crianças de modo orgânico
no mistério da Páscoa, na ceia eucarística e na vida da Igreja,
proporcionando-lhes uma preparação imediata para a celebração dos sacramentos
(cf. CT 37). Para isto, deve: I. Utilizar as modernas orientações da
pedagogia, nas quais a criança é sujeito do processo formativo.
II. Usar linguagem acessível às crianças.
III. Partir dos textos bíblicos, das celebrações litúrgicas e da vida da
criança, segundo sua própria psicologia.
IV. Utilizar recursos didáticos apropriados para explicitar a fé, com destaque
para a união entre fé, vida e celebração.
V. Apresentar Jesus Cristo como o “pão vivo, descido do céu”, Aquele que mata
a fome do sentido da vida.
VI. Mostrar o sentido e a dimensão vital dos sacramentos, especialmente da
Eucaristia.
VII. Comunicar às crianças a alegria de serem testemunhas de Cristo no meio em
que vivem (cf. CT 37).
VIII. Introduzir as crianças na preparação e na participação das liturgias da
comunidade.
IX. Despertar atividades que motivem a inserção na vida da Igreja.
X. Estimular o gosto pela oração individual e comunitária.
Tempo e local da preparação
A catequese de preparação das crianças à eucaristia terá, em princípio, a
duração de dois anos. Cada diocese, no entanto, segundo seu critério, poderá
realizá-la em um tempo menor.
Insista-se na catequese de perseverança.
A preparação deverá ser feita, como regra geral, na paróquia ou comunidade em
que os pais participam. Poderá realizar-se em colégios e centros comunitários,
desde que esta preparação seja reconhecida pelo bispo diocesano e atenda às
orientações da diocese, quanto ao tempo de duração e ao conteúdo, em comunhão
com a paróquia local, que fará o devido registro.
Conteúdo mínimo
Os temas a seguir formam o conteúdo mínimo da catequese para a eucaristia:
I. A Bíblia é a Palavra de Deus.
a) Celebração da entrega da Bíblia às crianças.
b) Orientações sobre a Bíblia.
II. Antigo Testamento: Alianças
a) Abraão: pai de um povo que tem fé / Isaac/ Esaú/Jacó.
b) Noé: prefiguração da salvação pelo batismo.
c) Moisés: o povo de Deus peregrino; Êxodo: o alimento do céu (maná), a
aliança.
d) Mandamentos: caminho para buscar a felicidade.
III. Novo Testamento: a Nova Aliança em Jesus Cristo a) Encarnação do Verbo de
Deus.
b) A mãe de Jesus.
c) A infância de Jesus.
d) O batismo: início da missão de Jesus.
e) Jesus forma um grupo: os Apóstolos.
f) Jesus nos ensina a repartir (Mt 14, 13-21 e Jo 6).
g) As parábolas: Jesus fala do reino de Deus; o bom samaritano - prova de
amor.
h) Morte e ressurreição de Jesus (Ele desagradou a sociedade de seu tempo).
IV. A Ceia Pascal e Santa Missa
a) A Ceia Pascal do Antigo Testamento.
b) Instituição da eucaristia (Mt 26, 26-29 e Lc 22, 7-23).
c) A Santa Missa: mesa da palavra e mesa eucarística.
d) Os tempos litúrgicos: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Tempo Comum.
V. O Mistério da Igreja
a) A Santíssima Trindade.
b) A Igreja é o povo de Deus.
c) A identidade missionária da Igreja.
d) Visão geral sobre os sacramentos.
VI. Oração Pessoal e Comunitária
a) As principais orações da Igreja.
b) Participação nas liturgias dominicais.
c) Preparação e execução de momentos litúrgicos com os catequizandos.
VII. A reconciliação com Deus e os irmãos.
a) Jesus, amigo dos pecadores (Mateus 11,19); o filho pródigo (Lc 15,11-32);
Zaqueu (Lc 19,1-10); a pecadora (Mt 26,6-13).
b) Reconciliação com a comunidade (Mt 5,23-24 e 18,15-22).
c) Passos para a reconciliação sacramental: exame de consciência,
arrependimento, acusação dos pecados ao sacerdote, propósito, penitência e
absolvição.
A celebração da Primeira Eucaristia
A primeira eucaristia será celebrada com simplicidade. É recomendável:
I. o uso de vestes simples, dignas e decentes, que respeitem a dignidade do
sacramento, evitando gastos inúteis e desigualdade entre os comungantes;
II. que a paróquia adote para a cerimônia um traje padronizado, ao alcance de
todos.
Os pais participem da preparação e da celebração, conforme a programação da
paróquia.
Compete ao pároco e à equipe de catequese, com bom senso e caridade pastoral,
apresentar soluções para as dificuldades de crianças cujos pais estejam em
situação irregular ou que não freqüentem a Igreja.
Catequese de perseverança
Após a recepção da primeira eucaristia, as crianças continuem a catequese em
grupos de perseverança, participem da vida litúrgica e das atividades
paroquiais.
Preparação dos adultos para a primeira Eucaristia
É dever da comunidade abrir espaço à formação específica para a primeira
eucaristia de adultos, de acordo com as condições e possibilidades de cada um.
É louvável seguir o ano litúrgico na preparação dos adultos para receberem a
eucaristia, conforme o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos - RICA).
Os adultos que se preparam para a primeira eucaristia devem participar da
comunidade e receber uma catequese própria, de tal modo que possam:
I. perceber o chamado de Deus na realidade e, assim, fazer a ligação entre fé
e vida;
II. “recordar o acontecimento supremo de toda a história da salvação, com o
qual os fiéis se unem pela fé, isto é, a Encarnação, Paixão, Morte e
Ressurreição de Cristo (Diretório Catequético Geral, 44);
III. “entender como o mistério salvífico de Cristo, através do Espírito Santo
e do ministério da Igreja, atua hoje e em todos os tempos, levando-os a
reconhecer seus deveres para com Deus, consigo mesmos e com o próximo”
(Diretório Catequético Geral, 44);
IV. “dispor os corações para a esperança na vida futura (...) que permite
julgar corretamente os valores humanos e terrenos, reduzindo-os às suas justas
proporções, sem contudo desprezá-los como inúteis” (Diretório Catequético
Geral, 44);
V. compreender que são convidados a participar com toda a humanidade na
construção de uma sociedade humana melhor (Diretório Catequético Geral, 29; GS
39,40-43);
VI. ter “uma participação ativa, consciente, autêntica na liturgia da Igreja”
e ser educados “para a oração, a ação de graças, a penitência, o sentido
comunitário, uma compreensão adequada dos símbolos...” (Diretório Catequético
Geral, 25).
Orientações Litúrgicas para a Celebração da Eucaristia
“O sacrifício de Cristo e o sacrifício da eucaristia são um único sacrifício.
A missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.
O que se repete é a celebração memorial, de modo que o único e definitivo
sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo” (EE 12).
O povo cristão tem direito à celebração da eucaristia no domingo, Dia da
Ressurreição, Dia do Senhor, como também nas festas de preceito e, quanto
possível, diariamente.
138. Por falta de ministro ordenado ou por outra grave causa, se a
participação na celebração eucarística se tornar impossível, o povo cristão
tem o direito de que o bispo providencie, segundo as possibilidades, para que
haja uma celebração da palavra para tal comunidade no domingo (cf. IRS
164-165).
“Sendo a paróquia uma ‘comunidade eucarística’, é normal que se juntem,
nas missas dominicais, os grupos, os movimentos, as associações, e as
comunidades menores que a integram. É por isso que aos domingos, dia da
assembléia, não se deve favorecer as missas de pequenos grupos” (DD 36).
LITURGIA DA EUCARISTIA
Ritos iniciais
A comunidade seja instruída para saber que constitui o corpo místico de
Cristo, a Igreja, desde o momento em que se reúne no espaço celebrativo. Para
tanto, seja criada uma atitude comunitária de oração.
Liturgia da palavra
Na liturgia da palavra, é Deus que fala a seu povo, é Cristo que fala à sua
Igreja. Por essa razão, “não é permitido omitir ou substituir por iniciativa
própria as leituras bíblicas prescritas, nem o salmo responsorial” (IRS 62).
As leituras da palavra, do salmo responsorial e da aclamação do evangelho
sejam feitas no ambão, diretamente do lecionário.
A homilia
Em circunstâncias particulares, poderão os fiéis leigos fazer a partilha da
palavra, conforme orientações do Doc. 52 da CNBB, fora da missa, numa igreja
ou capela. Isto se dará somente na falta de ministros sagrados ordenados e não
se transformará, de caso absolutamente excepcional, em fato corriqueiro. A
licença para isso, ad actum, compete ao ordinário do lugar e não aos
sacerdotes ou diáconos (cf. IRS 161). Na missa dominical, nunca falte a
homilia do presidente da celebração.
Liturgia eucarística
“Sejam utilizadas somente as orações eucarísticas encontradas no Missal Romano
ou legitimamente aprovadas pela Sé Apostólica, segundo os modos e os termos
por ela definidos” (IRS 51).
A oração eucarística é uma grande oração de louvor ao Pai, por Cristo, com
Cristo e em Cristo. Por isso, a consagração não pode ser interrompida por
cantos de adoração, procissões com o Santíssimo, nem seguida de qualquer canto
que não seja a resposta ao: “Eis o mistério da fé.” Sejam utilizadas apenas as
respostas previstas no missal (cf. CNBB, Doc. 53 - Orientações para a RCC).
O Pai Nosso
A oração do Pai Nosso, se cantada, não deve ser substituída por outros
textos, mas feita no original. O mesmo se diga do Glória, do Santo e do
Cordeiro de Deus.
A comunhão sob as duas espécies
A distribuição da comunhão sob as duas espécies exige um cuidado especial,
conforme as circunstâncias locais. Para este assunto, seguir as orientações do
Diretório Litúrgico da CNBB e da Instrução Geral sobre o Missal Romano.
Distribuição da comunhão aos fiéis
Quanto à comunhão, “é preferível que os fiéis possam recebê-la com hóstias
consagradas na mesma missa” (cf. IRS 89).
“O fiel leigo, que já recebeu a santíssima eucaristia, pode recebê-la
novamente no mesmo dia, somente na celebração eucarística em que participa” (IRS
95), salvo prescrição do cân. 921, §2.
150. Dar especial atenção para que o comungante coma a hóstia diante do
ministro, de tal modo que ninguém se afaste levando na mão as espécies
eucarísticas. A comunhão do Corpo do Senhor é alimento para a caminhada do
povo peregrino, e não momento de adoração.
A purificação dos vasos sagrados
A purificação dos vasos sagrados deve ser feita logo após a distribuição da
comunhão pelo sacerdote ou diácono. Se houver muitos vasos, poderá ser feita
logo após a missa, com o auxílio do acólito (cf. IRS 119).
Avisos e comunicações
A oração depois da comunhão, que se segue ao silêncio, constitui propriamente
a conclusão do rito de comunhão. Somente após sua recitação podem ser feitos
os avisos e comunicações breves ao povo.
Livros litúrgicos
Na celebração da missa, sacramentos e sacramentais, utilizemse sempre os
livros litúrgicos, que deverão estar atualizados: Missal Romano, Lecionário
Dominical, Semanal e Santoral, Ritual de Exéquias, Ritual de Ordenações etc.
Jamais usar folhetos ou livretos para presidir, o que empobrece e desvaloriza
o sinal celebrativo.
O espaço sagrado
A missa deve ser celebrada num lugar sagrado, a não ser que a necessidade
exija outra forma (IRS 108).
Sobre o altar para a eucaristia, estejam o missal, o cálice, a patena e as
âmbulas. Permitem-se velas e flores naturais (que também podem estar dispostas
ao lado, em pedestais); os dons e símbolos, trazidos no ofertório ou em outros
momentos, não devem ser deixados sobre o altar, mas numa mesa à parte ou
diante do altar, no chão.
Os vasos sagrados
Os cálices, âmbulas e patenas deverão ser prateados ou dourados, evitando-se o
vidro, cristal ou barro, por sua fragilidade, porosidade ou pouco respeito. As
galhetas, igualmente, sejam dignas do culto (cf. IRS 117).
Saudações e orações
O presidente da celebração deve dizer “O Senhor esteja convosco” e não
“conosco”. Assim também na bênção final. Também o diácono, ao proclamar o
Evangelho.
As orações da coleta, oferendas, pós-comunhão, a doxologia “Por Cristo, com
Cristo...” e a oração pela paz são exclusivas do presidente e não do povo.
Avisos, convites, homenagens e testemunhos de vida, é preferível que sejam
realizados fora da missa.
Língua
“A missa celebra-se em língua latina ou em outra língua, desde que se
recorram a textos litúrgicos aprovados segundo a norma do direito” (cf. IRS
112). Para o bem dos fiéis, convém que a missa seja celebrada na língua
vernácula.
“Quando a missa é concelebrada por mais sacerdotes, ao rezar a oração
eucarística, usa-se a língua conhecida por todos os sacerdotes ou pelo povo
reunido” (IRS 113).
Ministros extraordinários da sagrada comunhão
A denominação correta é ministro extraordinário da santa (sagrada)
comunhão. Deve ser corrigido o uso das denominações: “ministro especial da
santa comunhão” ou “ministro extraordinário da eucaristia” ou “ministro
especial da eucaristia” (IRS 156).
São fiéis leigos, delegados pelo bispo diocesano, ad actum ou ad tempus (IRS,
155).
Não podem usar túnica, mas uma veste que expresse o serviço ministerial.
Condições para ser ministro extraordinário da santa comunhão:
I. dar testemunho de amor à Eucaristia;
II. ter recebido os sacramentos da iniciação cristã;
III. ser pessoa que constrói a comunhão na comunidade;
IV. ter disponibilidade para servir não apenas na celebração da missa, mas
fora dela;
V. ser humilde e obediente às orientações da Igreja;
VI. se solteiro(a), que tenha um comportamento respeitoso e maturidade
suficiente para assumir este serviço;
VII. ter, pelo menos, 25 anos completos.
Equipe de celebração
Haja sempre uma equipe de celebração, aberta à participação de um número
maior e mais variável de pessoas, que vão se revezando na animação das missas.
O presbítero participará o mais possível da preparação com esta equipe,
orientando, incentivando e formando os fiéis.
Cabe ao animador ou comentarista motivar a assembléia e dispor os corações, de
modo amável e sucinto.
Cabe à equipe, com suas idéias, presença e serviço, ajudar a assembléia a
vivenciar o verdadeiro encontro comunitário com o Pai, por Cristo vivo, no
Espírito Santo, manifestado nas orações e no canto, em gestos e posições do
corpo, no ritmo, na dança e nos instrumentos musicais, para se chegar a uma
celebração inculturada, significativa e mistagógica.
Música litúrgica e pastoral
Que as missas aos domingos sejam solenes e com cantos litúrgicos, para
suscitar uma participação viva e frutuosa de todos, expressão da vida
cotidiana, imersa no mistério de Cristo e da Igreja.
A música e o canto correspondam ao espírito do tempo litúrgico, da celebração
litúrgica e ao momento da celebração, levando ainda em consideração a cultura
e a realidade do povo que celebra, pois expressam, de modo eminente, a
natureza própria da ação sacramental da Igreja.
Que se cantem hinos que atendam aos critérios da música litúrgica, e não
porque pertencem a este ou àquele movimento.
As letras dos cantos tenham mais inspiração bíblica e menos sentimentos
individuais, pois devem expressar a natureza comunitária da liturgia.
Seja dada preferência aos cantos que fazem parte do rito, juntamente com os
cantos que acompanham o rito (cf. Estudos da CNBB, nº. 79, A música na
liturgia, pp. 122 a 144).
Os cantos de entrada, preparação das oferendas e comunhão devem cessar assim
que terminar o correspondente rito.
I. Deve-se priorizar, cantando sempre: o salmo responsorial, o aleluia, as
aclamações das orações eucarísticas e o santo, pois fazem parte do rito.
II. O salmo responsorial não pode ser substituído por outro canto.
Cabe ao dirigente do canto ou ao comentarista, igualmente de modo breve,
anunciar e convidar o povo a cantar.
No abraço da paz, cumprimentem-se somente os que estão ao lado e, se houver
canto, que seja breve.
Durante a oração eucarística, as aclamações devem ser cantadas conforme os
textos do Missal Romano. Não são permitidos outros cantos, mesmo de adoração
ou de devoção de algum grupo.
O cantor sacro ou litúrgico está a serviço da liturgia da assembléia.
Por isso, não lhe basta cantar sozinho; é necessário envolver e levar a
assembléia a participar, a cantar.
O cantor litúrgico e o coral exercem um ministério dentro da celebração. Ao
entoarem os cantos devem ficar em local apropriado, que manifeste sua
participação como assembléia, e onde possam exercer seu ministério.
Os corais não devem substituir o cantar do povo da assembléia; mas, sim,
integrar-se, cantando junto ou intercalando os cantos com o povo, nos diversos
momentos litúrgicos.
Os instrumentos e os cantos serão tanto mais litúrgicos e evangelizadores,
quanto mais fiéis se mantiverem à natureza e ao sentido da função litúrgica, e
na proporção em que auxiliarem a viver e a expressar o mistério que se celebra
(cf. SC, 116).
A conservação da santíssima eucaristia e seu culto fora da missa
“Após a missa, as espécies sagradas sejam conservadas, sobretudo para que
os fiéis, e de modo particular os doentes e os anciãos que não puderem estar
presentes na missa, se unam, mediante a comunhão sacramental, a Cristo e ao
seu sacrifício, imolado e oferecido na missa” (IRS 129).
Recomenda-se que o sacrário, na medida do possível, seja colocado numa
capela separada da nave central da igreja, sobretudo naquelas igrejas onde há,
com freqüência, casamentos ou funerais, ou naquelas que são freqüentadas por
muita gente por causa dos tesouros artísticos e históricos.
Exposição do santíssimo sacramento
Não é permitido celebrar a missa diante do santíssimo sacramento exposto. Se a
exposição do santíssimo sacramento se prolongar por um ou mais dias seguidos,
ela deve ser interrompida durante a celebração da missa, a não ser que a
celebração seja realizada numa capela separada do local da exposição.
185. No rito da exposição podem ser feitas leituras da Sagrada Escritura com
uma homilia ou breves exortações. As respostas à palavra de Deus sejam
cantadas. Será oportuno que haja momentos de silêncio, que favoreçam uma
profunda oração pessoal. O Tantum ergo pode ser substituído por outro canto
eucarístico. No final da exposição será dada a benção com o Santíssimo
Sacramento.
As procissões eucarísticas
Quanto as procissões eucarísticas, “testemunhos públicos de fé e devoção a
este sacramento”, compete ao ordinário do lugar julgar também a respeito de
sua conveniência nas condições do mundo moderno” (IRS, 59).
